domingo, 20 de março de 2011

Cantada!

Essa história é verídica, como a maioria das quais eu contarei no futuro. Lá estava ela...Antes de tudo vamos chama-la de Marta para preservar sua imagem e reputação... Marta havia acabado de sair do seu trabalho, aqui entre nós, não dá nem para cansar lá, pois são apenas seis horas e pra falar a verdade é uma moleza só, ela fica sentada praticamente o tempo todo, exceto nas horas que vai ao banheiro (bom nessa hora ela também fica sentada) e quando sai para fazer um dos seus três intervalos para o lanche, ela é funcionária pública terceirizada e ganha muito dinheiro, como a maioria dos funcionários públicos, mas todo mundo reclama do atendimento do funcionário público, só quem não reclama é quem pretende ser um.

Enfim, após mais um dia igual a todos os outros encaminhando pessoas para entrevistas e empregos, estava ela toda faceira com seu cabelo estilo “não penteei hoje”no ponto de ônibus esperando o atrasadíssimo Mercedes Pedro Moro passar, para leva-la até sua residência.

Diz a lenda que ela iria voltar para casa caminhando, pois nem é tão longe assim, só uns 40 minutos andando, mais uns 20percorrendo a mata, que é bem um matagal e por fim sete quilômetros e meio seguindo pela estrada de chão batido.

Mas obviamente ela só vai começar fazer esse trajeto na próxima segunda feira, junto com a dieta da sopa. Exatamente ás 13:57 hora de Brasília, sua condução chegou, estava mais atrasado que a última menstruação. Marta entrou pela porta da frente, porque pela porta de trás não pode, se pudesse ela faria igual aqueles vandalozinhos que entram sem pagar a passagem.

Falando em passagem, ela subiu tanto que esta mais em conta ir de taxi do que andar de ônibus. Assim Marta pagou os dois reais e cinquenta centavos e procurou um lugar para se sentar. Na verdade ela não queria ir para o fundo porque lá se encontravam uns 14 homens, denominados de peão, pedreiros e oreias-secas.

Sem nenhuma discriminação Marta preferiu sentar-se no canto esquerdo do começo dos assentos do ônibus, bem se você não entendeu, vou explicar melhor, ela sentou bem longe daquela homarada, pois ela tem namorado e ele é brabão, pelos menos ela assim afirma.

Ela podia estar longe, mas ainda assim ouvia os risinhos e assobios dos pretendentes ou seria “pretendedores”, bom depende do ponto de vista de cada um. Apesar de não querer demonstrar sua satisfação pelos comentários direcionados a sua pessoa, no fundo ela estava se sentindo a última bolacha do pacote.

Chegando perto do seu destino, Marta começou a se preparar para levantar, claro que junto era acompanhada de 14 olhares sedentos, pareciam que haviam saído de uma prisão onde estiveram presos por mais de 10 anos sem ter visto uma mulher.
Mas para seu azar, não teve jeito a primeira porta do desembarque estava interditada pela enorme presença física e mal encarada de uma senhora, que nem se importou com o fato de Marta querer passar, assim se ter outra opção dirigiu-se para a segunda porta, perto é claro dos 14 olhares babantes e fixantes ou seria 28 olhares?

Apertou a campainha do ônibus e praticamente sem respirar contou os segundos para sua descida, segundos estes que mais pareciamhoras que passavam em câmera lenta, a platéia acompanhava cada passo como num filme de suspense e seus sorrisos aumentavam com o desenrolar da trama.

Os poucos segundos pareciam horas intermináveis, parecia que seria devorada viva por lobos ferozes e sanguinários, quando as portas finalmente se abriram, saltitante e cintilante Marta desceu e conseguiu respirar aliviada, mas quando foi dar o primeiro e faceiro passo para a liberdade ela ouviu, “caiu, caiu”!

Louca que só ela, e devido à fixação em sair do ônibus o mais depressa possível, ela olhou desesperada para o chão e como não viu nadica de nada voltou os olhos para o tal sujeitinho, que com um sorriso largo e sem o centro avante e um lateral, falou, “caiu, caiu... o meu coração!!!”

Minha gente brasileira, essa menina não teve reação alguma por alguns segundo, não que ela não quisesse xingar o elemento, é que havia muita gente olhando e também porque fazia um tempão que não recebia uma cantada desse porte, e devo dizer que um gesto vale mais que mil palavras.

Assim depois dos segundos que devem ter sido uns 3, essa menina teve um ataque de risos, e só quem viu podia jurar que muito mas muito se parecia com uma doidinha varrida! Mas na verdade era riso de satisfação, de alegria, seu ego estava inflado. E com esta frase na cabeça não conseguiu dormir direito aquela noite, e nem nas noites seguintes.

Todo dia as 13:57inclusive sábados e domingos, ela continua a pegar o mesmo ônibus, no mesmo local, aguardando encontrar o homem por qual seu coração realmente caiu!!!

Um comentário:

  1. Um Feliz Natal! Um Feliz Natal! E que Deus lhe guarde um próspero ano de felicidades!

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